domingo, 23 de janeiro de 2011

FADO ...meu fado de chegar.

F A D O
…meu fado de chegar.

Não é do Fado da Amália que vos falo hoje.
Não é da sua Voz, enorme, de Fado.
É do Fado em nome de DESTINO.
Destino.
UM conceito em que EU não acredito.
Absolutamente.
Não acredito.
Nunca tive medo de chegar. Mas sempre muito pouca vontade de partir. De deixar o que tenho, até porque o que sempre tive, sempre foi. No mínimo dos míninmos.
BOM.
FADO.
De Aveiro fui para Viana Do Castelo, sem conhecer ninguém. Duas cidades geminadas, irmãs, e ninguém que nos unisse. As primeiras 3 pessoas com quem partilhei casa, a vida, são meus amigos, somos amigos hoje, que não nos vemos há anos, somos amigos hoje, como se ainda vivêssemos juntos. Depois deste tempo todo. Não é uma convicção, é um sentimento.
Em Viana fui para Orebro, Suécia. Ainda que acompanhado por um amigo, e com a força que isso nos dá, tudo era novo. Percebi como é possível gostar de alguém, em 3 ou 4 meses, ao ponto de os desejar AGORA, AQUI, ao pé de mim, 9 anos depois. Ao ponto de desejar hoje que todos os seus sonhos estejam em Forma, ao ponto de acreditar que em três meses…ou quatro…fiz Amigos.
Entretanto, numa surpresa nem pensada, 2 dias e decidi. Nem mais um. Não podia. E no meio de incertezas e fobias, fui para o meio do atlântico, mais uma vez para o desconhecido e apenas restringido a um amigo comum. Caí na casa dele(s) de pára-quedas. e UMA semana ou duas para encontrar refugio. Acontece que as 3 pessoas que me acolheram, me deram uma alegria. E VIVI com eles 8 meses de intensas alegrias…e muito trabalho, facilitado pelo regresso diário à sua companhia. A nós. …Grande Minhoto..
Volto a Aveiro. Minha terra. Minha família. Meus amigos de sempre, minha família. E..novos amigos. Intensos. Carinhosos. Talentosos e talentosos do carinho. Até me apaixonei. Lágrimas e sorrisos, e um novo mundo dentro da minha cidade. E os de sempre…Os de sempre, sempre. Não há volta a dar. Graças à LUA.
Finalmente chego a Lisboa. Sem nunca o ter pesado, sabia perfeitamente o seu peso na minha vontade. Nunca fui de ficar parado, apesar da preguiça, sempre fui de correr atrás. Mesmo que atrasado. Sinto-me em cliché. “estou no sitio em que sempre quis estar”. À procura de um sonho…não!! A SONHAR,
E passo ante passo, pé ante pé, dedo depois do dedo, sigo o meu caminho. E não há caminho solitário. Por muito só que esteja. A cada passo uma pessoa. Um conhecido. Um amigo. Uma amante. Um inspirador. Um louco.
Todos iguais a mim.
E conheço Gente interessante. E mais. E ainda mais. E…Mais ainda. Mais gente e mais interessante.
É este o meu fado?
É este o fado do qual não posso uma lágrima?
Sem dúvida. ´
Posso queixar-me de tudo e algo mais. Neste aspecto não. Nem pensar. Sempre fui, e sempre aqui é mesmo sempre, muito FELIZ na sorte das pessoas que fui encontrar. Em cada lugar. Em cada LUGAR! Em cada LUAR..
E na ultima lua cheia( de 19 para 20 ou 21), que acaba agora – não acaba nunca - de brilhar, iluminar, foi a minha verdadeira estreia e a prova mais recente do meu FADO. Do meu fado BOM. O meu fado de amar. O meu fado de me apaixonar. Repetidamente por quem estou a encontrar, Incondicionalmente por quem me faz bem. Por quem me faz viver. Sem sonhar sequer, sem sequer sonhar que o está a fazer.
Mas faz.
E eu só posso agradecer.
Ao meu fado.
Fado BOM.
Ao destino que NUNCA me traçarás.
Que eu o faço.
Ai se faço!
Ao meu destino que EU o traço.
Ai se traço!
Aos meus sonhos que os enlaço,
E embalo, no meu regaço.
Para nunca adormecer sem antes os alcançar.
E tento.
E vivo.
Nem que viva de tentar.
E abraço.
Abraço.
O meu Fado BOM.
FADO.
BOM.
FADO.
Esse Fado de que vos falo.
Esse meu Fado de chegar a ti.
A Vocês. A NÓS.
O meu.
Bom.
FADO.

Miguel Coutinho
(07:57) 23.o1.2011

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

SOU


Libertando-se da sua carapaça social. Voltando a ser Corpo e Mente.
Somente.
Para poder ser tudo aquilo que quiser ser.


Miguel Coutinho

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Também por ser o Teu Aniversário


JOÃO. Tem nome de rapaz, uma das Mulheres mais fascinantes que conheci. Tem a força que às vezes me falta. e tem a falta que às vezes me faz perder a força. Mas tem sobretudo uma enorme beleza. Que vem de dentro, e se estende até aos olhos de quem a consegue Ver. Impetuosa sim. De feitio vincado também. Mas do mau feitio que nos fala o vento, nem vê-lo; quando está Feliz tem um olhar de mar tranquilo. Não, não é azul, é..enorme, e é possível admira-lo horas a fio sem pestanejar.
MARIA gosta de Viver em sangue quente. Pouca gente consegue ser tão emocional e racional ao mesmo tempo. Tão Terrena ou Lunar no mesmo dia. Às vezes parecem ser defeitos, mas a Vida desmascara essa mentira. a quem VIVE de noite e de dia. ao mesmo tempo.
Neste dia, que há mais de um ano Solar, ou será Lunar?, passou a ser especial, para mim também, por Ti, quero que tudo o que é especial, e essencial para esse teu olhar FELIZ , de Lua e mar ao mesmo tempo, INUNDE OS TEUS DIAS. PONTO.

P A R A B É N S



Miguel Coutinho

(Planeta Lua, 13 de Julho 2010)


terça-feira, 1 de junho de 2010

Num outro dia qualquer


A viagem começa no Tejo. Não porque estou no rio, mas porque nele repouso o meu olhar. Atravesso-o vezes sem conta..sem contar com as vezes que fico a pairar.
Os cacilheiros no seu vai e vem, rasgam a paisagem com a doçura de um pincel, ao longe. Volto a mim. A mim não.
Aos que me rodeiam. aos que me contextualizam.
Não são muitos neste caso. Mas ganharam vida. Identidade. Sem nome, representam um esterótipo, todos representamos. Quanto mais não seja, pertencemos ao esterótipo dos que não pertencem a estereótipos. Redundante sim, mas conclusivo.
Deixo-me guiar pelo instinto, percorrendo quem, ou o que, me chama a atenção.
Acho que passei por cada um.
Num ápice as turbinas aquecem e o avião que me transporta descola. Estou noutro país, noutro qualquer tempo, noutro qualquer espaço. Estou no mesmo lugar. e uma criança pequena a sirigaitar também. e um bacano a tocar guitarra, um cigarro aceso a luz solar e um cão.. também. e Gente de várias nacionalidades, e gente de estratos sociais diferentes, de tacão, sem tacão, descalços, com calção, fato e até gravata também. e os que não têm ninguém também. E.. casais, grupos de amigos, meninas a comer gelados ou a beber cerveja, meninos que fumam charros. e eu também.. estava lá.
e idosos e famílias, trabalhadores e sem trabalho...também estavam lá. Pessoas de Aqui e de Acolá.
Uma tranquilidade de quem partilha sem se mostrar.
É por esta altura que te avisto. Na vontade de partilhar o momento, a viagem, o gozar daquela paisagem. o azul, o verde, o teu vermelho..o roxo, o amarelo. o singelo e o mosntruoso.
...Foges ao de leve.
Foi suave esta aterragem. A tua imagem desvanece-se agora no azul do rio...vai dar ao mar. E eu, em jeito de quem agradece, pergunto ao azul, agora, do céu, se um dia me vais encontrar. Não espero respostas.
Levanto-me e sigo o meu caminho. Leve, tranquilo, relaxado.
Quando esse dia chegar, se chegar em algum dia, não será, com certeza, num outro dia qualquer.


Miguel Coutinho

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Dedo Que Aponta para Saramago



..."Reticências, Reticênciaaaas!!" Exclamou...
e Reticencias nada.
Ponto Final era apaixonado por Vírgula, Virgula era apaixonada por Ponto Final; mas Ponto final tinha chegado há pouco tempo de Final da Frase.
Irmão gémeo de Ponto Final, conhecido pela sua rigidez, Ponto Final Parágrafo dava todo o seu apoio ao irmão para este casar com Virgula.
O problema era que Virgula, vendo no casamento um grande Ponto de Interrogação, reflete sobre Dois Pontos: 1- "será que me ia dar bem com o ponto de iterrogação?", 2- " Será que o Dois Pontos não é primo dos gémeos Ponto Final e Ponto Final Parágrafo?".
...algum tempo passou... e, de Reticências, nada!...
O grande Ponto de Interrogação tenta aproximar-se de Virgula, o que provoca grande confusão!
Os irmãos, Ponto Final e Ponto Final Parágrafo, ajudados pelo primo Dois pontos, gritam em uníssono: "Vamos a eeeleeeeeeeeeeee!".
Ponto Final Parágrafo escorrega e quase cai no chão. Ponto Final fica para trás para ajudar o irmão Ponto Final Parágrafo, mas vê Virgula cada vez mais próxima do grande Ponto de Interrogação e, largando a mão do seu irmão, segue Dois Pontos e dirigem-se para junto de virgula e Ponto de interrogação.
Tudo parece acabar em bem, Virgula e Ponto Final poem um ponto final na relação, mas vivem felizes para sempre.
Todos juntos, Virgula, Ponto Final, Ponto Final Paragrafo, Dois Pontos, Ponto de Interrogação; e ainda Ponto e Virgula e Ponto de exclamação, procuram por Reticências... Mas em vão...
"Reticências... Reticências..." ecoará para sempre nos habitantes de Ortogville...
Ponto Final.

Miguel Coutinho

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A sAudAde bAte quando lhe Apetece




Peço-te desculpa, Aveiro.
Perdoa-me por todos os momentos que não passamos juntos, minha Veneza de Portugal.
Há muito que parti, sem nunca te ter deixado, é certo, mas há muito que me levei para outras paragens.
Deixa-me dizer-te que tenho saudades tuas. Não é sempre, nem de uma forma dramática.
A saudade bate quando lhe apetece.
Sinto falta das tuas pessoas, que, como eu, nasceram de ti. cresceram em ti.
Comigo e Contigo.
Sinto falta da Ria que esbraceja por entre ti. do reflexo distorcido, misterioso que ela nos dá.
Do sol que se põe para lá das salinas..e.. das salinas em si.
Da tua horizontalidade geográfica.
Do teu cheiro.
Das tuas praias, do teu mar, do meu farol.
Do teu vento que tantas vezes nos consome.
Tenho saudades da tua LUZ. da tua luminosidade impar.
De saborear o teu amanhecer...
De saborear o em ti viver. contigo.
Volto a espaços.
Aquela sensação de rever velhos Amigos, Amigos de sempre. Amigos que são para sempre.
Lembra-te de mim...
Sou filho da minha terra.
e a ti sempre hei-de voltar. e tornar a voltar.
Por muito longe ou muito perto que esteja.
por muito tempo ou quase nenhum que passe.
Porque sou mais feliz quando a saudade me leva até Ti.
Até TI e para mais lado nenhum.
E cada vez que chego, e porque cada vez que chego,
mesmo quando estou já de partida,
me recebes de braços, da ria, abertos e um soLrriso sincero e quente,
Eu te digo, docemente, como um trovão!:
GENTE DA MINHA TERRA, TERRA DA MINHA GENTE,
PERDOEM-ME SE NÃO ESTOU, PERDOEM-ME QUANDO NÃO VOU.
Porque eu NUNCA vos vou perdoar se não estiverem aí,
quando eu voltar..

e Eu volto sempre.



Miguel Coutinho

(12 Maio, dia da Cidade de Aveiro)