quarta-feira, 12 de maio de 2010

A sAudAde bAte quando lhe Apetece




Peço-te desculpa, Aveiro.
Perdoa-me por todos os momentos que não passamos juntos, minha Veneza de Portugal.
Há muito que parti, sem nunca te ter deixado, é certo, mas há muito que me levei para outras paragens.
Deixa-me dizer-te que tenho saudades tuas. Não é sempre, nem de uma forma dramática.
A saudade bate quando lhe apetece.
Sinto falta das tuas pessoas, que, como eu, nasceram de ti. cresceram em ti.
Comigo e Contigo.
Sinto falta da Ria que esbraceja por entre ti. do reflexo distorcido, misterioso que ela nos dá.
Do sol que se põe para lá das salinas..e.. das salinas em si.
Da tua horizontalidade geográfica.
Do teu cheiro.
Das tuas praias, do teu mar, do meu farol.
Do teu vento que tantas vezes nos consome.
Tenho saudades da tua LUZ. da tua luminosidade impar.
De saborear o teu amanhecer...
De saborear o em ti viver. contigo.
Volto a espaços.
Aquela sensação de rever velhos Amigos, Amigos de sempre. Amigos que são para sempre.
Lembra-te de mim...
Sou filho da minha terra.
e a ti sempre hei-de voltar. e tornar a voltar.
Por muito longe ou muito perto que esteja.
por muito tempo ou quase nenhum que passe.
Porque sou mais feliz quando a saudade me leva até Ti.
Até TI e para mais lado nenhum.
E cada vez que chego, e porque cada vez que chego,
mesmo quando estou já de partida,
me recebes de braços, da ria, abertos e um soLrriso sincero e quente,
Eu te digo, docemente, como um trovão!:
GENTE DA MINHA TERRA, TERRA DA MINHA GENTE,
PERDOEM-ME SE NÃO ESTOU, PERDOEM-ME QUANDO NÃO VOU.
Porque eu NUNCA vos vou perdoar se não estiverem aí,
quando eu voltar..

e Eu volto sempre.



Miguel Coutinho

(12 Maio, dia da Cidade de Aveiro)

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Onde estarei" Mano

Viajo em ti

acendi-um com um fósforo..dá-me um ar intelectual misterioso..melancólico até.. Já não sei se é do fósforo incandescente ou dos acordes que já me estendem o pelo na pele..ao de leve..
mais uma passa..passa..que trespassa..passa..passou.
não repito por acaso. escrevo já ao ritmo dos acordes que se repetem e se repetem e se derretem se derretem se...no ouvido.
palmas.
já acabou? estado ansiedade.
na verdade, continua..mais nua agora, mais crua.
Parei para te curtir.. de escrever, não de ouvir. Deves estar a.. CURTIR! à brava. a sentir cada som como se de um solo, que o é, se tratasse..tratasse,trattasse.
Acaba e repito mais uma vez.
Agradeço e parto até à próxima viagem..
até à próxima paragem..
Onde cheguei.
Onde Estarei..........
?


Miguel Coutinho

ao ritmo de Mano "onde estarei"

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lua e Sol em Caranguejo

Abro os olhos acordo em Lisboa.

Não sei se acordei de um sonho ou se dormi um pesadelo, mas! ao acordar segue-se um novo dia. e Esse dia chegou. E chega todos os dias.
Seja depois de um sonho ou das brumas de um pesadelo.

Abro os olhos acordo em Lisboa.

Está calor. Já não sinto o frio. Minto.
Se sinto o calor é pela razão do frio.
O frio já não me incomoda. Mas sinto.
E a chuva já não me molha.

Abro os olhos acordo em Lisboa.

Os dias estão maiores. VINTE E QUATRO horas.
às vezes 25.
As horas estão mais pequenas. SESSENTA minutos.
por vezes 45.
E os minutos.. ai, os minutos.. UMA VIDA.
às vezes e por vezes num minuto muda todo o Meu Dia.

Abro os olhos acordo em Lisboa.

Na cadência de uma balada. OU num allegretto andamento.
VOU.
por aí, por ali, por acolá. até aí.
até lá.
Vou. mas volto. VOLTO sempre.
Quando dá.

Abro os olhos acordo em Lisboa.

Às vezes paro.
Há SÍTIOS por onde não consigo passar.
Fico.
Páro e Fico sem esitar.
Deixo-me envolver. Descanso o olhar.
Visito AQUELE lugar.
Lugar é plural. aquele também.
e deixo-me Voar.
por momentos e pessoas e lugares. e ninguém.
Momentos e pessoas no singular.
A voar, sentado, nunca vem.
o dia que não é singular.
e o singular.
que do plural se faz também.

Abro os olhos acordo em Lisboa.

A estrela que não é jardim,
repousa seus raios no Adamastor. Que não é gigante.
acaba no horizonte.
Desaba sobre o Rio.
E quando esse sol que me ilumina e aquece...desfalece,
Vejo a Lua em meu redor.
Sinto a Lua.
Em todo o seu esplendor.


Abro os olhos acordo em Lisboa.

Fecho os olhos e adormeço.
à espera de acordar.

Em Lisboa.



Miguel Coutinho





terça-feira, 6 de abril de 2010

E C L I P S E

Queria ter-te Abraçado com muito mais força..

Queria ter-te Abraçado muito mais tempo..

Quando?



...de todas as vezes que te Abracei.



Miguel MooN

domingo, 27 de dezembro de 2009

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


Cecília Meireles, in 'Vaga Música'

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cartas De Amor

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)



Alvaro De Campos