domingo, 27 de dezembro de 2009

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


Cecília Meireles, in 'Vaga Música'

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cartas De Amor

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)



Alvaro De Campos

sábado, 28 de novembro de 2009

A Vida que nos escapa entre os dedos

Volta-se o rico para os prazeres da carne e a maior parte do mundo faz o mesmo. E não sem acerto, porque todas as coisas agradáveis devem ser tidas como inocentes, e até que se provem culpadas todas as presunções pendem a seu favor. A vida já é bastante penosa para que ainda a agravemos com proibições e obstáculos aos seus deleites; tão arisca se mostra a felicidade que todas as portas por onde ela queira entrar devem permanecer escancaradas. A carne enfraquece muito precocemente - e os olhos olham com melancolia para os prazeres de outrora. Muito rápidamente todas as alegrias perdem a vivacidade - e admiramo-nos de como pudessem ter-nos interessado tanto. O próprio amor torna-se grotesco logo que atinge os seus fins. Guardemos o ascetismo para a estação própria - a velhice.
É este o grande drama do prazer; todas as coisas agradáveis acabam por amargar; todas as flores murcham quando as colhemos, e o amor morre tanto mais depressa quanto é mais retribuído. Por isso o passado parece-nos sempre melhor que o presente; esquecemos os espinhos das rosas colhidas; saltamos por cima dos insultos e injúrias e demoramo-nos sobre as vitórias. O presente parece muito mesquinho diante de um passado do qual só retemos na memória o bom, e diante de um futuro que ainda é sonho. O que alcançamos nunca nos contenta; «olhamos para diante e para trás em procura do que não está ali»; não somos bastante sábios para amar o presente do mesmo modo que o amaremos quando se tornar passado. Quando mergulhamos num prazer, o nosso olhar vai para longe - a felicidade ainda não está alcançada apesar de termos o deleite nos nossos braços. Que mau demónio nos afeiçoou assim?


Will Durant, in "Filosofia da Vida"

domingo, 18 de outubro de 2009

"Eu estava habituada a vir para casa com um velho amigo Que me punha a mão nos ombros. Eu raramente tropeçava porque dele irradiava o calor das macieiras e a paz das Tílias. Era a árvore dos meus passos. E, regressando a casa, Regressava à Paisagemn que humana me fazia."


Maria Gabriela Llansol

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"a lua ao Luar"

Quando penso em escrever, sinto um vazio profundo. Agora, enquanto escrevo, fluem milhões de ideias num segundo. Não as consigo organizar, não lhes consigo dar a força da palavra merecida. ...Dizes que é a vida.
Por muito tempo não senti a falta, não procurei e, aconteceu, até fugi.
Tinha o sol para me aquecer. A LUA para seguir. ai a Lua...
Durante tanto tempo bastou-me sentir o luar...até àquele dia em que toquei a Lua. E que luz brilhante e intensa, flores vermelhas, borboletas e.. contratempos.
e beijos e carinhos e abraços. e adormecer ao teu lado. e adormecer contigo. Acordar.
TENHO que acordar.
Por momentos senti, em desvairada loucura, ser possivel viver na Lua.
Por muito que não te diga adeus, deixo-te ir.......
e vou.


Miguel

sábado, 2 de maio de 2009

walking by

you don't say yes,
you don't say no..
but baby
i got to go.

just Miss your eyes,
just miss your smile,
just hope to be with you
in A short while.

you walk on by,
and don't say hello,
so i say baby
don't let me go!

STAY CLOSE TO
SO I CAN PERFUME YOU.

moon light scReams,
the stars shine too!
all over my dreams
that Is where i find you..

OPEN YOUR EYES AND SEE
I WANT YOU TO PERFUME ME.

pull up the blanket,
feel safe and warm
even drinking in a bAnquet
or in the midle of a storm.

open your life and share.
i want to show i really care.
feel higher and free..
to choose to be with me.

.....OR IT IS WRITTEN OR IT WAS SUPPOSED TO BE.....


MigueL MooN